Processo Terapêutico

   A Comunidade Terapêutica Nova Aliança é uma entidade sem fins lucrativos que visa auxiliar no tratamento da dependência do álcool e outras drogas, num modelo psicossocial de atendimento, visando a integralidade das ações e a ressocialização do acolhido, de acordo com um amplo e minucioso projeto terapêutico, desenvolvido de acordo com os parâmetros nacionais e internacionais de excelência em enfrentamento à dependência química em CT.

   O programa de recuperação possui uma duração prevista de nove meses e é divi-dido em quatro fases. Da primeira à terceira fase existe uma previsão de dois meses ca-da, e a quarta prevê-se que tenha a duração de três meses. O tempo de permanência do acolhido em cada fase está sujeito ao cumprimento das metas propostas para aquela eta-pa. Desta forma, conforme atinge as metas o acolhido vai progredindo nas fases do pro-grama terapêutico. Quando há essa passagem de fase, o acolhido é congratulado diante de todos os demais e recebe um cartão de parabenização com uma mensagem motivaci-onal.
Cada fase possui ênfase em uma fase da vida do acolhido:

– Primeira fase: Eu e meu passado – Reorganizando minhas bagagens
– Segunda fase: Eu e meu presente – Quem realmente sou
– Terceira fase: Eu e meu futuro I – Minha nova história já começou
– Quarta fase: Eu e meu futuro II – Minha nova história já começou

O que diferencia a terceira da quarta fase é que a quarta envolve os aspectos prá-ticas de forma mais intensiva, como grupo de prevenção à recaída, passeios recreativos, visitas aos familiares, e outras atividades externas. Ambas estão atreladas à reinserção social do acolhido.
Cada fase reúne-se semanalmente para uma reunião onde se debate as lições de cada etapa.

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Reorganizando minhas bagagens

Mais relevante para o tratamento que o uso de drogas em si, são os motivos que levaram o dependente a procura da substância. Geralmente, a base do iceberg é a disfunção familiar, traumas, medos não enfrentados, frustrações, dificuldades de aceitação, necessidade de pertencer, entre outros. A primeira fase busca levar o dependente a uma corajosa reflexão em seu passado, observando questões mal resolvidas, conflitos existenciais, sempre focando a importância de valores como o perdão, a aceitação e a resiliência.

Quem realmente eu sou

Nesta fase do tratamento, é o momento do dependente olhar para si mesmo, examinar-se, questionar-se, avaliar-se: “Quem sou eu?”, “Qual é o meu objetivo neste lugar?”, “O que existe em mim que precisarei mudar para ter uma vida diferente?”. O residente é encorajado a buscar a transformação de seu caráter, abrindo mão do auto engano, da manipulação, da fuga, da “barganha” e buscar um novo modelo de vida pautado na dignidade, na honestidade e na realização dos seus mais nobres sonhos. Neste momento, também, incentiva-se a busca pelo significado da vida. Em geral, o dependente químico perde suas perspectivas, sonhos e objetivos. Sua auto estima prejudicada pela marginalização não o permite ver-se como uma pessoa de grande valor. Portanto, o residente é levado a conhecer seu inestimável valor, primeiramente para seu Criador e depois para o contexto em que está inserido. Nenhum homem é uma ilha e todos temos condições de sermos portadores da bondade, da paz e do amor.

Minha nova história já começou

Após intensivo investimento em palestras, dinâmicas e atividades de fixação na primeira e segunda fases, este último momento será tempo de colocar em prática, ainda de forma mais intensiva, o que o residente veio aprendendo até aqui. É agora, também, que o assistido deverá planejar seu retorno ao convívio social, tendo especial atenção aos fatores de risco a que estará exposto. O mesmo será orientado quanto a medidas de proteção, sendo “equipado” para uma vida social saudável e produtiva. Questões relacionadas à vida familiar, profissional, social, espiritual são debatidas e esclarecidas na perspectiva da Palavra de Deus. Com a conclusão efetiva das três fases, o residente estará munido para uma nova vida de superação e sucesso, todavia, ele constantemente será instruído de que essa nova história dependerá exclusivamente de suas atitudes e da aplicação dos conhecimentos adquiridos durante todo seu processo terapêutico.

Neste momento do programa terapêutico o acolhido será envolvido no grupo de prevenção à recaída e estará voltado para a reinserção social com autoeficácia. As saídas terapêuticas serão mais frequentes, o acolhido terá acesso a suas redes sociais dentro da CT, e será considerado como modelo para outros acolhidos, representando a função de Tutor quando for solicitado. O acolhido receberá incumbências da Comunidade, liderando algum tipo de atividade. Os acolhidos desta fase serão, ainda, constantemente encorajados a ministrar palestras, organizar eventos, exercer participação na Rádio Interna, compartilhando o aprendizado que obteve ao longo do processo terapêutico.

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